Publicado em 03 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

Se você encontrou um empréstimo desconhecido descontado do seu benefício, veja como organizar a contestação e pedir a interrupção da cobrança. Entenda também o que reunir para buscar a devolução do dinheiro, sem cair em novas armadilhas.
Você conta com o benefício do INSS para pagar mercado, remédios e contas da casa. Quando aparece uma parcela de empréstimo que você não reconhece, a preocupação é imediata: como parar o desconto e recuperar o dinheiro?
O caminho é identificar a cobrança, contestar a contratação e reunir documentos para pedir a interrupção dos descontos e a devolução dos valores. Se necessário, você pode buscar a Justiça. O resultado depende da análise do que aconteceu e das provas disponíveis.
O que significa aparecer um empréstimo que você não fez?
No empréstimo consignado, a parcela é descontada diretamente do benefício. Na prática, você já recebe o pagamento com aquele valor a menos.
Se você não reconhece a operação, precisa esclarecer sua origem. Pode haver uma contratação feita por outra pessoa com seus dados, um erro de identificação ou uma operação apresentada de forma diferente do que você entendeu.
Por exemplo: você já paga um empréstimo conhecido, mas encontra uma segunda parcela. Ou recebeu uma oferta por telefone e agora vê um desconto que não esperava. Essas situações precisam ser examinadas separadamente.
Não trate a cobrança desconhecida apenas como uma dívida para renegociar. Primeiro, peça explicações e os documentos que o banco utiliza para dizer que você contratou.
⚖️ O que diz a lei
O Código de Defesa do Consumidor inclui os serviços bancários e de crédito entre os serviços que protege. Você tem direito à informação clara e à prevenção e reparação de prejuízos, conforme os arts. 3º, § 2º, e 6º, III e VI, da Lei nº 8.078/1990.
Quais as vantagens de contestar e documentar o problema?
Contestar de forma organizada ajuda você a explicar exatamente o que desconhece e qual solução está pedindo. Também facilita a análise por quem for prestar orientação jurídica.
- Esclarecer a origem: você busca identificar qual operação gerou o desconto.
- Separar cobranças: você distingue o empréstimo conhecido daquele que está questionando.
- Calcular o prejuízo: você registra quanto saiu do benefício e em quais meses.
- Documentar as respostas: você guarda o histórico das tentativas de solução.
- Mostrar o impacto: você reúne informações sobre contas essenciais comprometidas.
Imagine que você deixou de comprar um medicamento porque faltaram R$ 180 no benefício. O extrato mostra o desconto. A receita, o orçamento do medicamento e os comprovantes de renda ajudam a explicar sua situação concreta.
Se você apenas esperar, novos descontos podem aparecer enquanto o problema não for resolvido. Por isso, acompanhe cada pagamento, mesmo depois de registrar a reclamação.
Como pedir o cancelamento, passo a passo?
Você pode começar com uma pasta, no celular ou em papel. O objetivo é guardar os documentos sem depender apenas da memória ou de conversas por telefone.
✅ Passo a passo
- Separe os demonstrativos do benefício e marque os descontos desconhecidos.
- Anote o banco identificado, o número da operação, se aparecer, e o valor da parcela.
- Confira seus extratos bancários para verificar se houve algum depósito relacionado.
- Procure um canal oficial do banco e informe que você não reconhece a contratação.
- Peça os documentos da operação, a interrupção dos descontos e a devolução do que foi cobrado indevidamente.
- Guarde protocolos, respostas e novos extratos para acompanhar o resultado.
Na solicitação, você pode escrever: “Não reconheço o empréstimo identificado neste desconto. Solicito os documentos da contratação, a apuração da ocorrência, a interrupção da cobrança e a devolução dos valores descontados indevidamente”.
Peça também os registros que o banco aponta como confirmação da contratação, como assinatura, gravação ou confirmação eletrônica, se houver. Assim, você poderá conferir o que está sendo atribuído a você.
Para evitar confusões, descreva datas e valores. Em vez de dizer somente “meu benefício veio errado”, informe qual desconto você contesta e desde quando ele aparece.
💡 Dica prática
Faça uma tabela simples: mês, valor descontado, protocolo e resposta recebida. Se você precisar de ajuda de alguém de confiança, acompanhe o atendimento e evite compartilhar senhas.
Como buscar a devolução do dinheiro descontado?
Parar os próximos descontos e recuperar o que já saiu são pedidos diferentes. Na sua contestação, deixe os dois expressos. Confira também se a resposta do banco trata de ambos.
A proteção do consumidor prevê a reparação de prejuízos financeiros. Para buscar essa reparação, você deve organizar quais cobranças considera indevidas e os documentos que mostram os valores retirados.
Se foram seis descontos de R$ 180, por exemplo, você terá R$ 1.080 em parcelas para identificar na reclamação. Essa soma é um ponto de partida para analisar o prejuízo, não uma promessa sobre o valor final a receber.
Confira também se algum dinheiro entrou na sua conta. Caso encontre um depósito que não reconhece, inclua essa informação na contestação e na conversa com a profissional que analisar seu caso.
⚠️ Atenção
Se você encontrar um crédito desconhecido, evite gastar antes de esclarecer a origem. Não faça uma suposta devolução por Pix indicado em ligação ou mensagem inesperada. Confirme qualquer orientação diretamente com o banco, por um canal oficial.
Você também pode relatar consequências além da perda financeira. O Código de Defesa do Consumidor prevê reparação de danos morais, mas isso não significa indenização garantida por qualquer desconto. A situação concreta precisa ser avaliada.
E se o banco não resolver ou disser que você contratou?
Se a resposta não esclarecer o problema, você pode buscar orientação jurídica para avaliar uma medida judicial. Leve os extratos, a reclamação, os protocolos e os documentos enviados pelo banco.
Uma possibilidade é pedir que a Justiça reconheça a inexistência da relação contratual questionada. Em palavras simples: pedir uma decisão dizendo que você não fez aquele contrato. Essa possibilidade encontra respaldo no art. 19 do Código de Processo Civil.
Você também pode discutir a interrupção dos descontos e a reparação dos prejuízos. Se faltar dinheiro para despesas essenciais, explique isso desde o primeiro atendimento, para avaliação de um pedido urgente.
Sobre as provas, o Código de Defesa do Consumidor permite que o juiz facilite a defesa do consumidor, inclusive determinando, nas condições do art. 6º, VIII, que a outra parte tenha de demonstrar determinados fatos. Isso depende da análise judicial, não acontece automaticamente.
Um acordo também pode ser considerado. Antes de aceitar, confira se ele trata dos descontos futuros, dos valores anteriores e da operação que você está contestando.
Quanto custa buscar ajuda e quanto tempo demora?
Antes de contratar assistência jurídica, peça uma proposta por escrito. Pergunte o que está incluído, como será o pagamento e quais despesas podem surgir. Não baseie sua decisão apenas em uma promessa de rapidez.
Se você não tem condições de pagar, procure orientação sobre assistência jurídica gratuita. O art. 5º, I, do Código de Defesa do Consumidor prevê a manutenção dessa assistência para o consumidor carente.
Não é responsável prometer uma data para o cancelamento ou a devolução. A resposta do banco, os documentos e a eventual necessidade de levar a questão à Justiça influenciam o andamento.
Quais dúvidas e erros comuns você deve evitar?
Já tenho outro empréstimo. Posso questionar este?
Você deve identificar exatamente qual operação desconhece. Ter um empréstimo conhecido não esclarece, por si só, a origem de outra cobrança. Separe os documentos de cada um.
O banco disse que cancelou. Posso encerrar o acompanhamento?
Confira os pagamentos seguintes e peça uma resposta documentada. Verifique também se houve solução para os valores anteriores, não apenas para as próximas parcelas.
Devo aceitar um novo empréstimo para resolver?
Não aceite uma nova operação sem entender a proposta. Se você contesta a contratação original, deixe isso claro e busque orientação antes de assinar algo apresentado como solução.
Qual é o erro mais importante a evitar?
Depender só de uma conversa e não guardar nada. Você não precisa resolver tudo de uma vez: comece identificando a cobrança, registre sua contestação e preserve os documentos para os próximos passos.
Fontes oficiais
Larissa Oliveira
Advogada e fundadora da Larissa Oliveira Advocacia. Atua com orientação jurídica clara e próxima, ajudando clientes a entender seus direitos e os caminhos possíveis em cada caso.
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